sábado, 4 de março de 2023


Depoimentos fracionados em três vídeos, dos artistas, produtores, diretores e demais participantes do Cênicas Festival de Teatro, Dança e Audiovisual do Paulista - Edição 2016


Depoimento Cênicas 2016 Parte 1/3

Depoimento Cênicas 2016 Parte 2/3


Depoimento Cênicas 2016 Parte 3/3






 


A voz do Artista

É gratificante quando vemos e ouvimos o artista falar. Quando ele pode se expressar e mostrar seus anseios, suas expectativas e suas realizações. 
Esse momento foi importante porque foi o ponta pé inicial entre a parceria do evento Cênicas com a rádio Esperança FM da cidade do Paulista/PE.
Eu no meu momento jornalista, após o término de um dia como produtora... teatro, cinema, comunicação, jornalismo... meu mundinho de letras e artes, tudo junto e misturado.

Por Vanusa Lima



 


Bastidores do Cênicas 2016

Nada melhor que deixar registrado alguns dos momentos mais emocionantes de um evento, quando o público se faz presente. O artista sem público, não é um artista, é meramente um ser humano iludido em uma fantasia que vestiu para ele mesmo.
Então, como um dos mais belos filmes e clássicos da telona "Recordar é viver", vamos recordar esses momentos únicos desse belo festival e, entender que, independente do final que foi dado ao referido festival, o sonho de público e artista não pode acabar, porque para o artista o show só acaba quando as cortinas fecham e os aplausos cessam.
Apenas um pequeno desabafo!

Por Vanusa Lima

 



Cênicas - Festival de Teatro, Dança e Audiovisual do Paulista - Edição 2016

Com toda certeza do meu coração, posso afirmar que este foi um dos projetos culturais, quais participei pela produtora Ocaso, que mais mexeu comigo em todas as nuances do meu ser. 
O Cênicas teve sua primeira edição no ano de 2015, lembro-me da correria, do estresse da pré-produção, da correria atrás dos grupos artísticos, de outros diretores de teatro e cinema... como queríamos produzir o Festival, sim, não seria apenas mais um festival, e sim, o Festival da cidade do Paulista!
Se no ano anterior, com edital lançado, ingressos impressos, materiais de divulgação rodados, estávamos aflitos, sem saber como seria a aceitação tanto da parte artística, como do público, nosso alvo maior, por assim dizer. Fou tenso, intenso, mas valeu à pena. Tanto que, na edição do ano seguinte, já tínhamos grupos artísticos nos procurando para poderem participar da nova edição. Foi de mesma intensidade, de mais estresse (quanto maior a responsabilidade, maior a cobrança), porém, mais uma vez valeu muitíssimo à pena.
Porém, dizem que tudo que é bom está fadado a terminar... acabou. Com apenas duas edições, o Cênicas chegou ao fim. Mas acredito que foi de muita relevãncia, muitos artistas passaram por esse conceituado evento, muitos diretores e produtores... alguns estreiaram lá, outros tiveram sonhos realizados naquele mundo mágico e encantado.
Bem... lembranças à parte. Vou deixar registrado aqui, nos vídeos seguintes, depoimentos e momentos dessa última edição de um festival que nasceu, estrelou e findou tão rápido como ascendem algumas estrelas. Como uma famosa música de Roberto Carlos "(...) rápido como um raio, repentino como um trovão (...)" assim foi o Cênicas em apenas duas edições. Para ficar na memória.
Não, por favor, não me perguntem o que levou ao fim o que não deveria ter findado, pois não é esse o meu objetivo. Quero apenas deixar registrado tudo o que foi bonito de se viver, fazer e mostrar, nada mais. 
Agradecerei sempre, o carinho de todos que marcaram ao festival, que como mencionei no começo, foi de um grande aprendizado para minha vida pessoal e, profissional sem dúvidas.

 Por Vanusa Lima

sexta-feira, 3 de março de 2023


ALMAS TROCADAS

 Outro trabalho por mim realizado, foi o curta "Almas Trocadas", um lindo e singelo romance, onde o amor verdadeiro era o que deveria prevalecer na vida do casal. Baseado na vida real? Quem sabe! Quantos não vivem por aí com suas "almas trocadas" e continuam seguindo por caminhos distintos, ou quantos não viveram assim? Vai saber!
Importante é que não vim falar do roteiro, mas do trabalho em si. Esse trabalho, também foi resultado de umas das disciplinas do curso de Cinema e Audiovisual da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco, e posso afirmar que ele me ensinou mais do que a própria disciplina, e uma dessas coisas que aprendi foi, fazer cinema no Brasil e mais ainda no Nordeste brasileiro, onde existe ainda muita discriminação, é complicado na verdade. 
Aprendi, juntamente com meus colegas de trabalho e aos amigos atores Douglas Lima e Lane Blansher, que a camaradagem e a brodagem são requisitos primordiais para que tudo funcione, pois bem sabemos que o dinheiro só chega aos poucos afortunados, mas, como o número de pessoas querendo fazer cinema é bem maior, a conta não fecha.
Então nos restam: boa vontade de fazer; disposição para jornadas longas entre idas e vindas de ônibus; divisões de lanches, com muito biscoitos e refrigerantes; todos fazem tudo... carregam, montam, ligam, desligam, "ajustam" figurinos, maqueiam-se uns aos outros e por aí vai... isto é cinema brasileiro para sonhadores que galgam chegar às grandes produtoras, por acreditarem em suas capacidades de ser e acontecer. Sejam bem vindos a nossa realidade "fantástica".
Não entendam como uma crítica, embora a mesma esteja intrísica na narrativa (não tem como não estar, mesmo sendo, ou tentando ser sútil), mas vejam como um breve relato das dificuldades e regozijos que essa singela cineasta passou em seus dias de aprendizado, não apenas teórico, mas, muito e muito prático, podem acreditar.
Quando você é estudante e ver um produto seu ser finalizado, você vislumbra chegar em lugares e patamares mais altos, faz parte. E com o tudo tem o lado positivo e negativo da coisa, bem, o negativo já descrevi, as dificuldades, etc e tal... o positivo, é que, se você viveu tudo isso, e mesmo conhecendo as dificuldades, privações, limitações, sacrifícios e demais agregados... você pode e com certeza, você pode fazer ainda mais, quando chegar nas outras esferas do universo cinamatográfico. Como diria uma bela pexinho azul "continue a nadar, nadar, nadar... " e eu, você e todos os que acreditam em nós, chegaremos lá.

Por Vanusa Lima
03.03.2023




À Espera...

Este curta, ou, a proposta dele, foi fruto de uma das disciplinas do curso de Cinema e Audiovisual da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco, mas precisamente da cadeira de "Direção", na qual eu cursei.
Muito importante para mim, não apenas por ser ele responsável por minha aprovação na disciplina, mas, pelas pessoas envolvidas. As duas pessoinhas deste vídeo são nada mais nada menos que meus dois, dos três filhos, o mais velho no papel de "pai" e o caçula interpretando o "filho".
Quando trabalhar com o que gostamos representa nossas realizações pessoais, imagine quando as pessoas que mais amamos fazem parte desse universo. E, não pensem que o filho do meio não estava lá não... sim, estava, nos bastidores, meu ajudante de direção, meu contrarregra, meu assistente... não tinha como não ser especial, né verdade?
Independente se hoje os caminhos deles são diferentes do que eu gosto, importante é saber que onde quer que eu esteja, ou, que eu precise fazer, se tiver que contar com eles, os meus três príncipes coroados estarão lá, e como diz uma famosa marca de cartão "isto não tem preço, para todo o resto (...) ". É desse jeito.

Por Vanusa Lima
03.03.2023

 


 


 "OLHAR"

Se eu fosse resumir esse curta com uma só palavra, descreveria "Despertar" pois foi através dele, que eu descobri minha paixão pelo cinema e pela atuação. Claro, estou longe de ser uma atriz "hollywoodiana", mas posso afirmar definitivamente que fui contagiada com o vírus da atuação, mesclando em meu ser a necessidade de criar e produzir "sonhos".
Sim, sonhos, porque para mim, esse universo remete aos sonhos, aqueles que parecem impossíveis de se concretizar, mas, que estão mais vivos do que nós mesmos. Esse mesmo "despertar" me direcionou ao curso de cinema, outra paixão que estava adormecida dentro de mim, mas que me movia e até hoje me move de uma forma inexplicável.
E o que foi mais interessante, não posso chamar de coincidência, mas de preparação, este vídeo foi fruto de uma oficina qual participei, onde a professora Alice Gouveia dois anos depois estaria novamente ministrando aulas para mim, dessa vez não numa oficina, mas, em uma das inúmeras cadeiras obrigatórias do curso de Cinema e Audiovisual da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco.
Se esta conectividade não é fruto de um propósito maior, aquele que Deus preparou para a minha vida, então eu não sei explicar o que aconteceu. Alguns diriam: "o universo conspirou ao seu favor", eita glória, e quem, se não Deus, o próprio autor desse interminável universo me indicou a direção do que eu deveria seguir? 
Pois bem, acreditem ou não, olhar para o curta OLHAR é lembrar que lá atrás em linhas talvez por mim tortuosas, Deus estava escrevendo um caminho em linhas retas para a concretização de sonhos, quais eu nem consigo narrar, mas sei que ao longe eu posso chegar.
Já dizia Xuxa Meneghel em minha infância: "Querer, Poder e Conseguir", e não é que é assim mesmo? Eu quero, eu sonho, Deus realiza, eu consigo. E tudo termina no final de uma reta não tão reta assim, mas que leva um olhar lá detrás para beeeeeeem longe.
Sem querer ser clichê e já sendo: "ao infinito e além!"
Meu agradecemento carinhoso a todos que participaram e dividiram comigo esta experiência maravilhosa!
  
Por Vanusa Lima
03.03.2023

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Eu posso ser o que eu quiser, basta acreditar

       Vanusa Lima - Daphne Models

 Olá caros amigos e amigas! Saudações...

... Quem conhece meu perfil sabe que, acabo passando temporadas sem aparecer... a correria é muita, graças a Deus! Sim, devemos agradecer sempre a Deus, por tudo, inclusive pelos nossos cansaços e fadigas, pois é, porque imaginem vocês quantas pessoas cerradas em leitos, não estão pedindo a Deus neste momento, por uma oportunidade de passar um dia ao menos, correndo de um lado para outro (sentido figurado mesmo), e no final do dia está exausto? Quantas pessoas não trocariam suas mazelas por momentos assim, desde que não estivessem mais em hospitais? Então... só por isso, eu e vocês somos vencedores e agradecidos a Deus, porque podemos "correr" o dia inteiro, e, mesmo assim, há quem não agradeça. Mas, tudo bem, isso é um particular de cada um com o Criador.

Beeeeeem... mas o que me trouxe aqui hoje, é contar para vocês uma novidade, atualmente com quase 42 anos, descobri que posso ser mais do que imaginava... como assim Vanusa? Sabe quando você nunca imaginou fazer algo e de repente descobre que pode fazer? Loucura isso né? É nada!!! Vou explicar (para encurtar a história) ... resumindo, além de outras coisas que faço, hoje também posso dizer que sou modelo!

Sim, modelo! Olha, para quem me conhece pessoalmente, sabe que eu jamais cogitei ser modelo, mas, como estou sempre aberta às descobertas, me possibilitei encarar tal desafio. Mas olha, vou dizer, não estou assustada, muitas pessoas fazem um bicho de sete cabeças, mas vou dizer, é só você ligar seu botãozinho da autoestima e voilá! Seguir, seguir e seguir... cada dia que passa, descubro que eu posso ser o que eu quiser, basta eu acreditar! Primeiramente em Deus e em mim, nas minhas capacidades.

Expectativas??? Tenho, mas não nas possibilidades que surgirão com relação aos trabalhos futuros, e sim, nas surpreendentes e maravilhosas ações de Deus na minha vida. Isso mesmo, nas coisas que Deus têm para mim. Porque nada disso seria, é ou será possível, se o meu Paizinho não permitisse, não permita e para o futuro, não permitirá acontecer. Sou totalmente dependente d'Ele e grata em totalidade existência de meu ser.

Uau... saber que tudo é permissão d'Ele e que Ele está no controle de minha vida, me conforta a tal ponto de dizer "Paizinho, eis-me aqui. Faz a Tua vontade na minha vida" e o mais, é confiar e esperar nEle, porque sei que sem Ele, a minha essência não é nada, quiçá a minha vida.

Meus amores, principalmente você mulher, você homem, que está passando por um momento de aflição, de dor, angústia, de aperreios (problemas), seja na saúde, no trabalho, na família... na sua baixa autoestima, erga a sua cabeça, clame ao Senhor e Ele te ouvirá. Entregue seus problemas nas mãos d'Ele e o deixe fazer Sua na tua vida. Não existem problemas grandes para nosso Deus, mas sim, existe um Deus Grande e Poderoso, que Tudo Pode, para acabar com quaisquer problemas... não fique para baixo, você é especial para Ele, você é alguém importante e pode sim, todas as coisas. Pode sim, continuar sonhando. Pode sim, continuar em busca dos seus ideais, e se alguém diz para você "desista, você não pode", "você vai perder", "isso não é para você"... não diga nada, apenas se lembre daquele que morreu por mim e por você, do que Ele te diria, caso você o perguntasse: "Vá em frente, Eu estou contigo"; "Você consegue, Eu te seguro"; "Creia em mim, e Eu te sararei"; "Há algo impossível para mim?".

Você já pensou nisso? Que muitas vezes somos nós mesmos quem dificultamos tudo? Tem um louvor muito lindo de Elias Silva que se chama "Livre Para Voar", a letra dele é maravilhosa e fala bastante comigo. Nos momentos de angústia, eu o ouço e isso me dá uma paz, e me faz perceber que tenho alguém que cuida de mim em TODO o tempo e o TEMPO todo. Prestem atenção em alguns trechos da letra, e depois, quando puderem, escutem o louvor. Tenho certeza que Deus vai falar com vocês através dele.

"Erga agora a cabeça, não fique triste, oh não! Porque parar tão cedo assim? Até disse: Deus me esqueceu, mas Ele não esquece os seus (...)  Se você cair, Ele te levanta. Se você chorar, Ele te consola. Quando oprimido, Ele te liberta. Ele é o Deus de ontem e de agora (...) Deus mandou eu te dizer, pare agora de sofrer. Erga a cabeça (...)" 

É isso meus amores, se vocês estão passando por situações complexas, ou se estão se achando incapazes de realizar algo, ou até mesmo de ser algo, eu vim aqui hoje, com o propósito de dizer a vocês, não desistam de seus sonhos, não se desacreditem, não parem de buscar o que tanto vocês creem... Sigam! As dificuldades aparecem, mas não são elas que vão nos parar. Acreditem em Deus, nesse Deus que Tudo pode, nesse Deus que Tudo sabe, nesse Deus que Tudo ver... Eu e você nada podemos, mas Ele sim, pode com certeza. Então entreguem-se a Ele, digam "Senhor, eis-me aqui, faz Tua vontade em mim, oh Pai" e deixe Ele agir. Porque eu tenho certeza de uma coisa, quando eu faço isso, me prosto aos pés do Altíssimo, eu vejo as coisas acontecerem na minha vida e na vida dos meus entes queridos. 
Como falei no começo da postagem, jamais me imaginei como modelo, mas agora sou. E quem fez isso fui eu? Não, foi meu Deus, que abriu o caminho do mar para que eu passasse. Por que eu sou melhor? Não, porque simplesmente confio nEle. Problemas sempre vamos ter. Certa vez falando aos discípulos, Jesus disse "no mundo tereis aflições, mas, tendes bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33). E o que Ele quer dizer com isso? Que nós sempre passaremos por tribulações, mas Ele que é o nosso Redentor, venceu o mundo, suportando sobre si a carga de todos os pecados. Porque nós, com problemas tão pequenos perante ao que Ele passou, não iremos superar? Pensem nisso! Ergam vossas cabeças e sigam adiante. Porque o sol nasce para todos, inclusive para mim e para você. Por que não aproveitá-lo?
É isso meus amores... Saudades de escrever para vocês! Beijos grandes e até a próxima! Se Deus quiser!
 ;-) 
Que Deus vos abençõe!

Vanusa Lima

quarta-feira, 25 de março de 2020

Compartilhando Experiências... Ressurgindo Como a Fênix

Oi pessoal, estou eu dando o ar da graça por aqui, depois de muito tempo. Pois é, fiquei afastada mas precisamente por um ano. Uau! É muito tempo, não é verdade? Sim, mas foi bom esse tempo longe, pois passei por muitas coisas, quais posso compartilhar com vocês, principalmente vocês mulheres que estão passando por algo semelhante ao que eu passei. Agora, me sinto pronta para compartilhar o que vivi e, vivo atualmente, para quem sabe assim, eu não possa ajudá-las a superar situações nada agradáveis ou, inimagináveis, como foi no meu caso.
Para que vocês compreendam o que que quero falar, farei breve resume de minha vida... Ah não, não se preocupem, não quero escrever um livro de auto-ajuda, até porque não creio que sejam os livros desse gênero capazes de nos ajudar, mas sim, os relatos que eles contém, podem fazer todo o diferencial, pois, por mais que os problemas se assemelham, jamais serão os mesmos, e vai variar bastante, então, tenham os livros de auto-ajuda, não como fieis manuais para tua vida, entretanto, veja-os como direcionadores de situações, quais vocês podem se identificar devido à semelhança, e, a partir das afinidades, você perceberem e descobrirem qual caminho deve trilhar.
Então, vamos lá? É isso... só lembrando, não é um livro de auto-ajuda, ok? Bem, como vocês já sabem, sou Vanusa Lima, jornalista e cineasta, sou pernambucana da gema, daquelas que veio do interior mesmo, matuta e com muito gosto. Atualmente, estou com meus quarenta e um anos de vida, graças a Deus. Sou mãe de três belos rapazes, que costumo dizer que são meus presentinhos que Deus me deu. O mais velho têm vinte e dois anos, o do meio está prestes à fazer dezoito e o caçulinha, têm doze aninhos. Todos meninos, meus tesourinhos!
Bem, eu vivi durante vinte e um anos e alguns meses com o pai de meus filhos. Aquele casamento dos meus sonhos (meus, porque cada uma de nós sonhamos de um jeito), onde vivíamos apaixonados um pelo outro; amantes (e belos amantes); companheiros; colegas de trabalho (trabalhávamos juntos em projetos culturais); filhos lindos e inteligentes (modéstia à parte) enfim, tudo o que vocês possam imaginar para que eu tivesse, ou ao menos achasse que tinha, um casamento sólido.
Ops! Aí é que está o problema. Não existe casamento sólido. Aprendam isso deste já. Isso mesmo, não existe casamento sólido. O que existe é um interesse único em se manter um casamento. Isso mesmo. E enquanto os dois pensarem da mesma forma, tiverem o mesmo objetivo, aí sim, o casamento se mantém numa solidez impecável e durará até que a morte os separem.
Mas, imaginem vocês que os homens (sim, os homens em sua grande maioria) eles gostam de variar, de experimentar pratos novos, e não por falta de opção em casa, mas simplesmente porque são muito gulosos. E falo isto sem medo de errar. Porque lamentavelmente os homens enxergam o casamento de maneira bem diferente que a mulher. Nós mulheres em sua grande maioria, somos românticas, sonhadoras, queremos o bem maior de nossa família, mas o homem não. Ele em sua maioria é egoísta, pensa na virilidade dele acima de todas as coisas. Na cabeça do homem, quanto mais mulheres ele tiver, mais macho ele é. Já as mulheres são o avesso de tudo isso, para nós, não importa a quantidade e sim a qualidade. Bem, e aí é que está o "x" da questão...


Vinte e um anos de casamento, passamos juntos por situações bem complexas, chegamos quase a passar fome, com os dois primeiros filhos ainda pequenos (a diferença de idade dentre os três é de cinco anos cada), sorte que um ainda mamava, mas mesmo assim... seguimos, firmes, fortes, e nos amando! Lindo né? Pois é... aí depois enfrentamos outras tribulações, e vencemos. E mais outra, e vencemos... sempre juntos. Um dando à mão ao outro,  como deve ser com qualquer relacionamento... Em meio as batalhas, traições... e em prol do amor que sentia por ele, e da nossa família, ele pedia perdão, eu perdoava... e seguimos. Se brigávamos? Claro, como qualquer casal. Ora ele estava certo, ora eu. Mas seguíamos. Tínhamos um acordo, de não irmos dormir sem fazer as pazes. E isso às vezes era até estimulante, porque cá entre nós, fazer as pazes é bem mais emocionante, não é verdade? Porque você deixa sua imaginação se soltar, e se ela for fértil, você vê estrelas, passarinhos azuis e borboletas rosas voando dentro de seu quarto. Ok... até aí deu para perceberem que eu tinha um casamento como outro qualquer. E, que terminou como a maioria termina, em traição.
Eu passei mais de duas décadas escutando dele, que ninguém o faria trocar a família, mulher nenhuma. E isto gerou em mim uma certa confiança, por acreditar que estava vivendo com o amor da minha vida. Ora, ele até poderia ser o amor da minha vida, mas com certeza, eu jamais fui isto para ele. O que hoje, graças a Deus não me importa mais. O que eu quero dizer para vocês meninas, que sonham com seus príncipes encantados... continuem sonhando, não percam seus melhores momentos por causa de histórias que não deram certo, mas, faço uma ressalva, sonhem, acreditem, amem, se dediquem, deem o seu melhor, só não permitam que eles acabem com seus sonhos. Aí Vanusa você nos confunde, como é isso: acreditar desacreditando?
É isso aí... acreditem desacreditando. Simples, não deixem de viver os melhores momentos, de escreverem belas histórias juntos, de realizarem desejos, de programarem passeios... enfim, vivam tudo, o único erro de uma mulher, é, viver tudo isto e além de tudo, colocar o homem como prioridade em sua vida. Como se viver ou conviver com eles seja o mais importante e até vocês acreditarem naquela velha frase "sem ele eu não vivo".
Deixa eu te desapontar, vive. E vive muito, e vive muito bem. Eu, Você, Nós não precisamos de um homem para vivermos, nós merecemos um companheiro que nos ame, que nos respeite acima de tudo, como mulher, namorada, noiva, mãe, amiga (tudo isto num pacote único), mas, que ele não seja a nossa prioridade. Que ele venha para somar, e não para nos diminuir.
Quando eu percebi que o tinha "perdido" me desesperei, chorei noites e noites e mais noites, isto durante um ano e meio. Não podia vê-lo, que meu coração gritava como louco dentro de mim. E no começo, quantas e quantas vezes não repeti essa frase "como vou viver sem ele?"
Ei, deixa eu te contar... eu descobri que eu posso e sim, que eu vivo sem ele, ou sem qualquer outro homem. Porque para eu viver, dependo unicamente de Deus, e depois, de mim mesma.
Quando Deus arrancou aquele sentimento de meu coração, eu me senti como a fênix, eu verdadeiramente ressurgi para a vida. Descobri que eu me amo, que sou linda (quem quiser achar o contrário, zero bronca) mas eu me acho linda, capaz, e o melhor, não dependo de homem para ser feliz, eu dependo de Deus e de mim.
Aí você me pergunta "você não quer mais ninguém na sua vida?" Oi, claro que quero. Não deixei de ser romântica, apaixonada por belíssimas histórias de amor, e, tão pouco de sonhar com meu príncipe encantado. Sei que em algum momento ele vai surgir em um cavalo branco, e eu vou montar na sua garupa e saí por aí escrevendo novas histórias para a minha vida e a dele. Mas, com uma grande ressalva, não será mais o meu príncipe encantado que vai determinar as diretrizes da minha vida e minha felicidade, mas sim, Eu, apenas eu, debaixo das mãos poderosas de Deus, que vou dizer que caminho quero seguir. Se vou permitir que os erros do passado me sigam para aonde eu for, ou, se as experiências vividas são suficientes para que eu não cometa os mesmos erros... sinceramente, amar é muito bom, fazer amor melhor ainda, entretanto, ter as rédeas da minha felicidade em minhas mãos e não colocar homem nenhum como regente principal da minha vida, isto não tem preço.
Que sejamos assim, mulheres guerreiras, que lutam por tudo o que acreditam, inclusive pelos nossos amores; princesas, românticas, sonhadoras, com ideais de vida para si; porém, que sejamos rainhas que confiam na carruagem que as carregam, mas não em seus cavaleriços.
É isso meninas! Deixo para vocês, apenas um pouco da minha experiência. Assim que puder, volto aqui e conto mais coisas para vocês. Importante é que vocês saibam que a melhor decisão não é deixarmos o amor nos dominar, e tão pouco amar alguém, porém que possamos ter a consciência de que devemos pensar primeiramente, segundamente, terceiramente ... em nós mesmas e, depois... neles! 

quarta-feira, 27 de março de 2019

Assédio e Abuso Sexual Infanto-Juvenil

... Antes de começar a digitar palavras que eu sei, não vão causar bem estar aos que lerem, eu preciso respirar fundo, pois o que vou narrar daqui por diante, tem a ver também, com minha história de vida, e a prudência não é apenas por abordar aspectos abusivos que ocorreram na minha existência, mas, de como eles vão refletir na vida daqueles que por aqui passarem.

Abuso Sexual - forma de violência física, emocional ou psicológica. Os efeitos do abuso sexual podem incluir: depressão, transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático complexo, trauma psicológico e outros.

 Assédio Sexual - no Brasil, de acordo com a Lei 10.224/2001 está definido como "constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual (...) Constitui assédio sexual: comportamento indesejado de caráter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física.
 Para que vocês compreendam tudo, preciso voltar à década de 1980, quando eu era apenas uma singela criança do interior do Estado de Pernambuco, tinha apenas oito anos de idade, era inocente e não compreendia nada da vida adulta, e tão pouco sabia o que era sexualidade. Vivia brincando com minha irmãzinha mais nova, eu era a mais velha, e até então, éramos somente nós duas. Nossos pais tinha acabado de se separar, meu pai ainda estava em São Paulo e nós três: eu, minha irmã e nossa mãe, já havíamos retornado ao interior.
Uma cidade pacata, com pouco mais de três mil habitantes na cidade e mais um quantitativo na zona rural que não sei precisar. Tupanatinga, cidade relativamente nova, que na década de 1980 estava com pouco mais de duas décadas de existência. As pessoas se conheciam pelos nomes, geralmente era assim: "Vanusa, filha de Nequinho do velho Hermógenes". Ou ainda, "Vanusa filha de Luzia de dona Miranda e seu Joaquim lá das bandas do Sítio Anastácio"... e por aí seguíamos! As pessoas se conheciam até sua terceira geração, era de fato, uma pequena cidade.
Mas, mesmo nas cidadelas e nas épocas mais remotas, onde a tecnologia não tinha invadido ainda, as pessoas desconheciam totalmente expressões como celulares, computadores, internet então? É de comer, é um bicho, o que é isso? Então, como estava dizendo, em uma cidadezinha do interior do Nordeste, onde as pessoas que tinham pouco dinheiro assistiam somente à um canal de televisão, os moradores não iam imaginar de forma alguma, que pelo menos uma pessoa, agia covardemente em meio às crianças. Isso mesmo, covardemente, porque um homem fazer certas coisas, agir de maneira nojenta (é esse o sentimento que me aflora, nojo) para com uma criança, acabando definitivamente com tanta inocência, e, apresentando-a abruptamente ao mundo do medo e da desconfiança, esse homem não é um homem de fato, é um monstro. Monstro, isso mesmo, não encontro definição melhor para o definir. Um monstro, que chega disfarçado de bom moço, que se aproxima lentamente de sua vítima, que cerca de maneira que ela não se dá conta, e quando menos espera, acontece o bote, e a pobre vítima está ao alcance de suas mãos, sem saber como proceder, se grita, se corre, se fala... mas a paralisia é instantânea, e ela não consegue se mexer, fica por algumas frações de segundo imóvel, tentando assimilar o que está acontecendo. E na cabeça dela uma única pergunta "o que é isso meu Deus?"

Seu algoz é uma pessoa influente na cidade, um representante de um órgão público, é bem quisto, é educado, trata a todos com gentileza e com largo sorriso no rosto, mas poucos, e talvez apenas eu naquele momento, estivesse enxergando a verdadeira face dele, uma imagem perversa, um sorriso assustador, um lobo em pele de cordeiro, literalmente falando. Para a maioria que o chamava pelo nome, e de igual situação, ele conhecia cada morador, aquele homem era um "doce de pessoa" como já ouvira pessoas falarem assim.
Mas então ficava na minha cabeça "como um doce de pessoa pode fazer isso comigo?" "como pode ele ser tão mau, e as pessoas não perceberem?" "por que comigo?" "por que ele fez isso?" "ele não é bom" e assim seguiam as inúmeras perguntas formuladas na minha cabeça. Perguntas estas que eu não conseguia saber as respostas, não tinha como, pois, quem iria me responder?
Como falei anteriormente, eu tinha um pouco mais que oito anos de idade, era inocente, nunca havia escutado falar sobre sexualidade, sequer imaginava o que era isso. Minha vida era estudar, assistir o Xou da Xuxa, Vídeo Show, os Telejornais da Globo (lá só pegava esse canal de TV. E sim, eu adora jornal, pois desde os meus cinco anos sonhava em ser jornalista), brincar com minhas vizinhas na frente de casa, pois naquela época as crianças podiam brincar na frente de suas casas, porque desconhecíamos os termos sequestro ou rapto de crianças, ou ainda, bandidagem, drogas, essas coisas assim, então brincávamos, éramos crianças felizes que pulávamos amarelinha, brincávamos de pique-esconde; barra-bandeira; pega-pega; pula-corda; cabra-cega e tantas outras brincadeiras que até chego a respirar fundo só em lembrar quanto era bom aquela época.

Mas enfim, sigamos, pois infelizmente não estou aqui para falar das saudosas brincadeiras, mas, para dizer que, em meio à esse cenário inocente e divertido, um lobo cercava sua presa, e, não vou dizer "azar" por não gostar dessa palavra, mas, talvez, por ironia do destino ou algo assim, eu fui a escolhida para ser testemunha silenciosa da perversidade inescrupulosa do ser humano.
Certa manhã, assim como era de costume, eu e minha irmã estávamos brincando em frente a nossa casa, nesse dia, não lembro ao certo, se houve aula e já havíamos chegado em casa, ou, se era algum dia atípico e que não tinha tido aula. Sei apenas que estávamos brincando e, eu como sempre fora uma criança prestativa (ATENÇÃO SENHORES PAIS: Isso é muito sério! Cuidado com seus filhos que são muito prestativos, eles, por não serem tímidos, ou, por gostarem de ajudar os outros, podem cair mais facilmente nas garras do inimigo. Não é regra, lembrando que todos os filhos devem ter a total atenção e vigilância de seus pais e/ou responsáveis), então me predispus a ajudar esse ser do mal, que aqui, vou chamá-lo de "ZÉ".
O tal do "Zé", perguntou se eu queria ajudá-lo a procurar os objetos que ele estava separando por detrás do balcão, eu, claro, prestativa e sem malícia alguma, disse que podia. Comecei ajudando, ele dizia "esse coloca alí, aquele outro coloca aqui" e por aí seguia. Eu continuava fazendo. Minha irmã do outro lado do balcão, passando para mim, o que estava lá, e eu recebendo do lado de dentro e colocando segundo o "Zé" orientava. Em determinado momento, o "Zé" pediu para eu ajudá-lo com alguns pacotes que estavam no chão, nesse momento, quando eu me abaixei, fiquei em posição de cócoras, ele se abaixou perto de mim, e foi aí que ele me abusou. Me tocou... nossa, somente em descrever, passa-me um filme, como se eu estivesse vivenciando isso agora, é uma sensação horrível, de impotência, ainda mais porque naquela época eu não sabia o que era isso, eu não entendia o que estava acontecendo. Eu paralisei por segundos, eu acho que foram segundos, não sei ao certo, mas para mim, era uma eternidade, um tempo que parecia não passar. E como toda cidade pacata, no momento em que você acha que vai passar alguém, você não consegue ver ninguém, ou ninguém consegue te ver. Eu só lembro que quando consegui reagir, tirei a mão dele do meio de minhas pernas, e consegui me levantar e saí correndo, chamando minha irmã, que veio em seguida atrás de mim. Eu estava gelada, a sensação que tive, é de ter visto um fantasma, ou algo assim. Antes fosse!
Minha mãe, que nesse momento, estava trabalhando no bar de uma conhecida, para poder trazer comida para dentro de casa, de nada suspeitava, e não suspeita até hoje, pois nunca tive coragem de contar para ela o que aconteceu comigo. Também não consegui falar para mais ninguém. Me fechei no meu mundinho, e não quis mais saber de ajudar as pessoas, pelo menos não aos homens. Passei a ter medo deles, passei a olhá-los com desconfiança. Eu estava comedo "daquilo" se repetir, e eu passei a acreditar que, como aconteceu comigo, eu tinha sido a culpada, eu tinha sido responsável por aquele homem, mais velho do que eu pelo menos duas décadas, ter me "bolinado" e passei a me policiar, me perceber e ver o que eu tinha de errado e de diferente para aquele cara ter feito aquilo comigo? Era o que me perguntava o tempo inteiro. Eu não tinha paz quando o via por perto. Eu não conseguia olhar para ele. E pasmem, ele passava por mim, e falava normalmente como sempre falara, inclusive na frente de minha mãe, que nada desconfiara, coitada! Não sabia ela e nem ninguém, que aquele calhorda havia me feito mal; havia estragado a minha inocência, pois eu não era mais a mesma criança. Quando estava sozinha, às vezes chorava, sentia medo, sentia raiva; raiva de mim. Raiva por achar que eu deveria ter feito alguma coisa para evitar aquela situação, mas, o quê? Como que eu, uma criança, que jamais tinha escutado falar sobre sexo, que sequer desconfiara que eu tinha sexualidade, como eu iria evitar um abuso?

Mas isso caros leitores, isso é o que nós, que somos vítimas de tais abusos, pensamos. Nós, em absolutamente sua totalidade, nos achamos culpadas por sofrermos essa violência. O que é totalmente absurdo! Mas, mediante uma sociedade machista e preconceituosa, onde as mulheres são colocadas como objetos de desejo para seus pares, e para a sociedade como um todo; onde somos representadas não por nossa força de mulher, de mãe, de guerreira, de filha, de profissional, mas pela cobrança exacerbada da sensualidade expositiva do corpo feminino, somos reduzidas a meros objetos de prazer, e mesmo que não seja intencional, nos colocam no patamar do sexo vulnerável, inclusive às depravações de alguns homens. O que confere ao homem o poder do abuso e a nós mulheres a certeza da culpa. Mas NÃO É BEM ASSIM, NÃO SOMOS CULPADAS pelos erros alheios. Não temos culpa se um homem não sabe respeitar o que somos, ou quem somos. Não somos culpadas porque homens perversos nos abusam, "bulinam" não apenas nosso corpo, mas nossa inocência. Não somos culpadas se monstros, SIM, MONSTROS não respeitam suas mães, suas mulheres e suas filhas, porque antes de desrespeitar as filhas e mulheres dos outros, dentro de suas casas também têm mulheres, que podem ser vítimas de outros monstros como eles. Mas não pensam, não lembram... querem apenas saciar seus desejos macabros, perversos, que destroem vidas, sonhos, inocências... 
Hoje eu falo, hoje eu consigo dizer o que se passou comigo, mas, hoje, com quarenta anos, ou seja, trinta e dois anos depois de sofrer o primeiro assédio, eu consigo falar, expor o que sentir. E quantas crianças hoje não estão passando por isso? Quantas crianças hoje não estão vivenciando esse terror psicológico e físico dentro de seus lares, com seus vizinhos e conhecidos?
Aí você me pergunta, e acabou como? Eu te respondo, lamentavelmente não acabou. Com o tal do "ZÉ", sim, acabou. Eu o evitei até quando pude. Fugia dele literalmente. Não vou dizer que fugia dele como o diabo foge da cruz, porque nesse caso aqui, é notório quem fazia o papel de diabo, né verdade? Bem, mas se vocês acham que meu drama acabou, infelizmente não. Eu mal havia escapado de um agressor, pois é assim que o vejo, um agressor, pois agrediu não apenas as minhas partes íntimas ao tocá-las, mas a minha alma, quanto criança, quanto pura, eu aos dez anos acabei caindo nas garras de outro monstro.
Quando estava com dez anos de idade, mediante um acerto com minha mãe, deixei minha pequena cidade para morar em Recife, com uma madrinha e sua filha mais velha, advogada conceituada do governo do Estado. A intenção da minha mãe, e eu concordei, é que eu iria em busca de melhorias para mim, com chances de bons estudos e, consequentemente conseguir aquilo que desejara desde meus cinco anos, quando comecei dominar a leitura, eu queria ser jornalista, e, morar na capital era sem dúvidas, uma oportunidade para atingir meus objetivos. Por eu ser a mais velha, minha irmã ficou com nossa mãe, que agora já era mãe de um menino, meu irmãozinho, e eu vim à cidade grande. Bem, como disse, eu já estava com dez anos de idade.
Nesse tempo já não era tão franzina, meus seios já estavam começando a se desenvolver, meu corpo já estava tomando forma, pois embora eu não sabia, com pouco mais de um ano, eu começaria a menstruar, virando literalmente uma "mocinha" como costumava dizer minha madrinha.
Bem, quando eu pensei que estava tudo bem, que eu não iria nunca mais na minha vida ver o tal do "Zé" e que daquele momento em diante eu não seria obrigada a conviver com uma culpa, qual eu não tinha mas me julgava como se tivesse; eu me deparei com um outro "Zé" tão mau quanto o primeiro, ou talvez, pela acessibilidade dele à casa que eu morava, até pior que o primeiro.
Não demorou muito tempo depois que eu cheguei na casa dessa minha madrinha, para esse cara aparecer na minha vida. Uma pessoa ligada à família dela, que frequentava constantemente a residência, que tinha acesso irrestrito à família e as propriedades dela. Esse outro como disse, foi até pior. Se antes, sem saber do que se tratava, eu me assustei com a situação e me senti a errada da história, o que dizer desse agora? Antes de narrar os fatos, vou só passar para vocês quanto tempo passei sendo assediada sexualmente, foram longos seis anos de puro suplício.
Isso mesmo, seis anos. Dos dez aos dezesseis anos de idade, sofrendo calada, me sentindo um lixo, a escória da sociedade, me sentindo suja, um trapo. Não se espantem, é assim mesmo que nos sentimos, a pior das criaturas. Mas, novamente vou dizer, dizer não, vou gritar mesmo NÃO SOMOS CULPADAS, SOMOS VÍTIMAS!
Esse infeliz fazia de um tudo na minha frente, se masturbava quando sabia que eu estava encurralada, que não tinha como passar por ele. Eu ficava de olhos fechados, eu virava o rosto para o outro lado, para não ver aquela cena chocante. De novo vou dizer, eu tinha dez anos, não sabia como era um órgão sexual masculino, jamais tinha visto algo assim. E a partir daquele dia, minha vida se transformou em um inferno. Pois era perturbador demais toda aquela situação, eu não entendia porque, mas sabia que o que fazia era errado, era sujo, era nojento demais para mim. Quando as pessoas que estavam na casa, estavam em outros cômodos, ou dormindo, ele dava um  jeito de passar por mim e "ralar" suas genitálias em minhas costas, pois geralmente ele fazia isso quando eu estava lavando os pratos, ou alguma peça de roupa. Era muito, muito, muito nojento. Eu sentia repulsa por ele, mas mesmo eu fazendo cara de nojo, aquilo ali não o afetava e ele continuava. Quando eu dormia, cansei de ser despertada com ele acariciando meus seios. Eu sentia um pavor tão gigantesco quando ele estava por perto, que descrever aqui não está sendo o suficiente para passar o meu terror. 
Eu chorava de medo dele, ao mesmo tempo sentia que eu, mas uma vez era culpada por ele fazer aquilo. Resumindo todo esse inferno, foram seis anos de terror na minha vida, e quando finalmente eu não consegui mais disfarçar o incômodo pela presença dele, e o medo que eu sentia, pois só em ouvir a voz do infeliz, eu tremia e me contorcia todinha. Uma pessoa da família, muito ligada à ele, percebeu, e, me chamou para conversar, pediu para que eu não escondesse nada, então, aos prantos, soluçando desenfreadamente, consegui falar. Foi como se eu tivesse tirado um peso de toneladas de minhas costas, mas aí, quando eu pensei que as coisas iam se resolver como deveria, essa pessoa, chamou outra de sua confiança e as duas me pediram por tudo, que eu não falasse nada para ninguém, porque se eu falasse, certamente o casamento dessa pessoa chegaria ao fim, e eu "SERIA CULPADA" pelo fim do casamento deles.
Inacreditável, mas essa frase que elas usaram, me desarmaram totalmente e, mesmo eu, nessa altura do campeonato, com dezesseis anos, já sabendo o que era sexo, já sabendo o que era ser abusada, mesmo assim, eu tive que me calar e aceitar que tudo aquilo fora um mal entendido, uma coisa besta que ele fez, intencionalmente, mas que não prejudicou ninguém, exceto se eu falasse, aí destruiria o casamento de anos, dele.
Ora, naquele momento ali, ninguém pensou em mim. No quanto eu estava destruída. No quanto minha inocência mais uma vez tinha sido roubada. Ninguém pensou na minha vergonha em ter que ver aquele cara se masturbando em minha frente. Ninguém pensou no meu pudor ofendido, quando aquele homem passava se ralando nas minhas costas. Ninguém pensou em mim em momento algum, do medo que eu estava de ser apontada como alguém que acabou com uma família. Ninguém levou em consideração os meus medos, meus traumas. Nessa hora, poucos lembram-se das vítimas, e eu era essa vítima. Mas, que eles mesmos me apontavam como culpada. "Você é culpada, se ele fez isso, você provocou"; "você é culpada, porque homens gostam de menininhas ingênuas, puras e você é culpada por ser assim"; "você é culpada por isso"... "você é culpada por aquilo outro"... "você é culpada!" NÃO, EU NÃO SOU CULPADA! EU SOU VÍTIMA!
Pais, o que eu quero mostrar com isso tudo, com toda a minha história, é que vocês fiquem atentos a tudo. Qualquer sinal, por menor que seja, pode significar algo. Geralmente, quando sofremos abuso, seja ele de que grau for, é abuso. Passamos a perder a confiança nas pessoas; se antes gostávamos de estar próximos daquela pessoa, passamos a nos esconder, a ficar distante, criando uma certa repulsa para com aquela pessoa; só ficamos perto, em grandes exceções, quando existam pessoas de nossa confiança por perto; sentimos desprezo por elas; sim, damos sempre alguns sinais, porque não queremos dizer, em sua maioria por medo, por constrangimento (minha gente, é constrangedor demais você ter que relatar para outras pessoas, uma situação dessas), por vergonha e o principal fator, por nos atribuírem CULPA. Logo, não conseguimos falar o que se faz necessário.

Por favor, fiquem atentos. E, se alguma criança ou adolescente, conseguir a todo custo falar algo, mesmo que não em detalhes, não duvidem, por favor! Não se trata da velha e conhecida frase "criança não mente" a questão não é essa, a questão é que, se seu filho está falando, está contando para você uma história, dê atenção. Ele pode estar te pedindo socorro e você não está dando para ele a chance de ajudá-lo a passar por esse trauma sem tantos danos.
Eu posso afirmar com plena convicção, que Deus foi grande na minha vida, que apesar de ter passado por tudo isso, eu consegui seguir adiante. Consegui me relacionar e manter um casamento de mais de vinte e um anos, no qual tive três filhos. Mas, os fantasmas dos abusos me assombravam vez por outra, porém conseguir vencê-los, e hoje estou aqui, após se passarem vinte e quatro anos em que os abusos acabaram, falando para vocês de que não é fácil lidar com isso. Infelizmente algumas crianças e adolescentes abusados, acabam desenvolvendo transtornos psicológicos, eu também não escapei disso, tive aos meus dezenove anos de idade, o que chamamos de síndrome do pânico, mas esse relato será mais adiante, em outra pauta. O que posso afirmar é que hoje estou bem, graças a Deus agir na minha vida, porque se eu fosse depender da ação dos homens, eu estaria até hoje acreditando que eu tive culpa por todos os assédios e abusos que sofri, mas não é bem assim. Fui vítima, e, independente da idade que eu tinha; ou se eu chamava a atenção por ser novinha, inocente ou algo do tipo, não justifica um monstro se aproveitar da situação, e abusar de mim ou de quem quer que seja. Independente da idade, somos seres humanos que merecemos ser respeitados. Uma criança não pode perder sua inocência. Uma adolescente não pode perder seu direito de preservar aquilo que ela acredita ser melhor para ela. Uma mulher não poder deixar de usar uma roupa, porque vai chamar a atenção. Respeito acima de tudo, não importam: roupas, idades, tamanhos, identidade de gêneros ou quaisquer que sejam os dilemas, que esses monstros, agressores, bandidos, possam pagar pelos grandes malefícios não apenas físicos, mas psicológicos, que causam na vida das pessoas.
E você, que já foi vítima de tamanha barbárie, lembre-se em todo momento, VOCÊ NÃO É CULPADA, VOCÊ É VÍTIMA! 

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V.L.A.
vanusalima.2007@gmail.com